Série 1 - O Ministério que Transborda: Pare de se Esforçar e Permaneça | Devocional
- Flávio Macieira
- 12 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Por: Pastor Flávio Macieira
Capítulo 7
O Ministério que Transborda

Chegamos ao fim da nossa jornada pelo oásis secreto, mas, na verdade, este é o verdadeiro começo. Por muito tempo, operamos sob uma lógica de exaustão, acreditando que o ministério era um poço que cavávamos com o suor do nosso rosto, oferecendo aos outros uma água que nós mesmos não tínhamos tempo de beber. O resultado inevitável era a secura, o cansaço e a sensação de fraude. A resolução final, a verdade que amarra tudo o que vimos até aqui, é a lógica do transbordar. Um ministério frutífero, duradouro e que glorifica a Deus não vem do nosso esforço para dar, mas do transbordar de uma vida que está constantemente recebendo.
Jesus encapsulou esta verdade quando declarou: "Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva" (João 7:38). Note a dinâmica: Ele não disse "de seu esforço jorrará uma fonte", mas "do seu interior fluirão rios". Fluir é um ato passivo, natural, quase sem esforço. É o resultado inevitável de uma fonte que está cheia demais para conter o que possui. O foco de Jesus nunca esteve no ato de dar a água, mas em estar conectado à Fonte da Água.
Pense na imagem de um simples vaso de barro debaixo de uma cachoeira. A única "tarefa" do vaso é permanecer ali, debaixo do fluxo constante. No início, ele se enche. Mas uma vez cheio, ele não para de receber. A água continua a cair sobre ele e, inevitavelmente, começa a transbordar. Sem nenhum esforço próprio, o vaso começa a regar e a nutrir tudo o que está ao seu redor. Ele se torna uma fonte de vida não por sua capacidade de produzir água, mas por sua disposição de permanecer debaixo da fonte. Nós somos esse vaso. Nossa principal tarefa no ministério não é tentar encher os outros, mas nos mantermos posicionados sob o fluxo constante da graça, da Palavra e da presença de Deus em nosso oásis secreto.
Isso muda tudo. A preparação do sermão deixa de ser a fabricação de um produto e passa a ser o relato do que transbordou de nós durante a semana. O aconselhamento deixa de ser a aplicação de técnicas e se torna o ato de oferecer o refrigério que nós mesmos recebemos. A liderança deixa de ser sobre nossa visão e passa a ser o reflexo da direção que ouvimos em silêncio. A saúde do nosso ministério público se torna, então, um mero sintoma, um termômetro que revela a saúde do nosso oásis secreto.
A resolução final é, portanto, um ato de consagração e confiança. É o compromisso de priorizar o invisível sobre o visível, a comunhão sobre a atividade, o ser sobre o fazer. É a confiança radical de que, se cuidarmos da profundidade da nossa relação com Deus, Ele mesmo cuidará da largura do nosso impacto. É abandonar a ansiedade de ter que "produzir frutos" e abraçar a paz de "permanecer na Videira", sabendo que é Ele quem produz o fruto através de nós. O ministério deixa de ser um peso que carregamos e se torna a dança para a qual fomos convidados, liderada por Aquele cujo fardo é leve e cujo jugo é suave.










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