A FONTE DA NOSSA IDENTIDADE
- Flávio Macieira
- 30 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Por: Pastor Flávio Macieira - 2025
Série: Firmes sob Fogo (Dia 2/3)

Imagine um músico talentoso no palco de um grande teatro. Antes de tocar a primeira nota, ele olha para a plateia. Na primeira fila, vê críticos de cenho franzido com seus cadernos. Mais atrás, um grupo de fãs que o aplaudiria de qualquer jeito. Nas galerias, pessoas conversando, distraídas. Seu coração acelera. Como ele poderá agradar a todos? O medo da crítica e a ânsia pelo aplauso o paralisam. Mas então, ele ergue os olhos para o camarote real, no centro do teatro. Lá, sentado sozinho, está o Rei – aquele que compôs a música e que lhe ensinou a tocar. O Rei o olha e sorri, com um aceno de aprovação. Naquele instante, o músico toma uma decisão: ele fecha os ouvidos para a multidão e toca a melodia apenas para o Rei.
Meu caro pastor, todos os dias nós subimos nesse mesmo palco. Cada sermão, cada decisão, cada visita é uma performance diante de uma plateia de opiniões. E a crítica, que abordamos ontem, é a voz mais alta vinda das poltronas. Ela nos faz questionar nossa afinação, nosso ritmo, nosso valor. Ela sussurra: "Você não é bom o suficiente". E, se não tivermos cuidado, passaremos o ministério inteiro tentando agradar a uma multidão inconstante, vivendo da droga do elogio e morrendo pela facada da crítica.
É para este coração de músico, ansioso pela aprovação da plateia, que o apóstolo Paulo oferece a mais libertadora mudança de perspectiva de todas:
"A opinião de vocês e a de qualquer tribunal humano não têm a menor importância para mim, e não confio nem em meu próprio julgamento. [...] Aquele que me julga é o Senhor." (1 Coríntios 4:3-4, NVT)
Leia essa frase novamente e sinta o peso das correntes se quebrando. Paulo não está sendo arrogante; ele está declarando sua independência judicial. Ele efetivamente diz: "Eu retirei o meu caso do tribunal da opinião pública e o transferi permanentemente para a suprema corte do céu". Ele entende que, no final das contas, existe apenas um Juiz, uma só opinião que define quem ele é e qual o valor do seu trabalho. Paulo decidiu tocar para um "Auditório de Uma Só Pessoa".
Quando vivemos para o aplauso de Deus, as críticas dos homens, embora ainda possam nos ferir, perdem o poder de nos definir. Elas se tornam apenas o ruído de fundo da plateia, incapazes de abafar a melodia que estamos tocando para o Rei. Nossa identidade não está mais à venda, disponível para o maior lance de elogios ou críticas. Ela está segura, guardada e selada em Cristo.
Para que esta liberdade se torne real em nossa vida, precisamos praticar um ato de reorientação espiritual.
Na próxima vez em que você sentir a pontada de uma crítica ou a necessidade de um elogio, pare por um instante. Feche os olhos e ore esta frase simples: "Senhor, a Tua aprovação é o meu único sustento". Use-a como uma âncora para puxar seu coração de volta, da plateia para o camarote do Rei.
A verdadeira liberdade começa quando escolhemos para quem estamos tocando.
Qual "plateia" (membros antigos, jovens, críticos online, família) tem tido o volume mais alto em sua mente e coração ultimamente?
Como seria, na prática, tomar uma decisão ministerial baseada unicamente no que agrada ao "Auditório de Uma Só Pessoa"?
Você tem medo do julgamento do Senhor, ou a opinião d'Ele sobre você é um lugar de profunda segurança e graça?
Agora, vamos apresentar nosso desejo por liberdade diante do único Juiz justo e amoroso.
Senhor, meu Rei, eu confesso que tenho vivido com os ouvidos atentos à plateia. Busquei o aplauso dos homens e me feri com suas vaias, esquecendo que a única aprovação que importa é a Tua. Perdoa-me por entregar meu valor a um tribunal que não tem jurisdição sobre minha alma. Hoje, eu peço a graça de viver e servir para o Teu olhar. Que a Tua opinião seja a música que guia meus dias e a verdade que acalma meus medos. Que eu possa tocar a melodia da minha vida somente para Ti. Em nome de Jesus, Amém.
Quando vivemos para um Auditório de Uma Só Pessoa, as vaias e os aplausos da multidão se tornam apenas ruído de fundo.










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