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A FONTE DA NOSSA IDENTIDADE

Por: Pastor Flávio Macieira - 2025

Série: Firmes sob Fogo (Dia 2/3)


Imagine um músico talentoso no palco de um grande teatro. Antes de tocar a primeira nota, ele olha para a plateia. Na primeira fila, vê críticos de cenho franzido com seus cadernos. Mais atrás, um grupo de fãs que o aplaudiria de qualquer jeito. Nas galerias, pessoas conversando, distraídas. Seu coração acelera. Como ele poderá agradar a todos? O medo da crítica e a ânsia pelo aplauso o paralisam. Mas então, ele ergue os olhos para o camarote real, no centro do teatro. Lá, sentado sozinho, está o Rei – aquele que compôs a música e que lhe ensinou a tocar. O Rei o olha e sorri, com um aceno de aprovação. Naquele instante, o músico toma uma decisão: ele fecha os ouvidos para a multidão e toca a melodia apenas para o Rei.


Meu caro pastor, todos os dias nós subimos nesse mesmo palco. Cada sermão, cada decisão, cada visita é uma performance diante de uma plateia de opiniões. E a crítica, que abordamos ontem, é a voz mais alta vinda das poltronas. Ela nos faz questionar nossa afinação, nosso ritmo, nosso valor. Ela sussurra: "Você não é bom o suficiente". E, se não tivermos cuidado, passaremos o ministério inteiro tentando agradar a uma multidão inconstante, vivendo da droga do elogio e morrendo pela facada da crítica.


É para este coração de músico, ansioso pela aprovação da plateia, que o apóstolo Paulo oferece a mais libertadora mudança de perspectiva de todas:

"A opinião de vocês e a de qualquer tribunal humano não têm a menor importância para mim, e não confio nem em meu próprio julgamento. [...] Aquele que me julga é o Senhor." (1 Coríntios 4:3-4, NVT)

Leia essa frase novamente e sinta o peso das correntes se quebrando. Paulo não está sendo arrogante; ele está declarando sua independência judicial. Ele efetivamente diz: "Eu retirei o meu caso do tribunal da opinião pública e o transferi permanentemente para a suprema corte do céu". Ele entende que, no final das contas, existe apenas um Juiz, uma só opinião que define quem ele é e qual o valor do seu trabalho. Paulo decidiu tocar para um "Auditório de Uma Só Pessoa".


Quando vivemos para o aplauso de Deus, as críticas dos homens, embora ainda possam nos ferir, perdem o poder de nos definir. Elas se tornam apenas o ruído de fundo da plateia, incapazes de abafar a melodia que estamos tocando para o Rei. Nossa identidade não está mais à venda, disponível para o maior lance de elogios ou críticas. Ela está segura, guardada e selada em Cristo.


Para que esta liberdade se torne real em nossa vida, precisamos praticar um ato de reorientação espiritual.


Na próxima vez em que você sentir a pontada de uma crítica ou a necessidade de um elogio, pare por um instante. Feche os olhos e ore esta frase simples: "Senhor, a Tua aprovação é o meu único sustento". Use-a como uma âncora para puxar seu coração de volta, da plateia para o camarote do Rei.


A verdadeira liberdade começa quando escolhemos para quem estamos tocando.


  1. Qual "plateia" (membros antigos, jovens, críticos online, família) tem tido o volume mais alto em sua mente e coração ultimamente?

  2. Como seria, na prática, tomar uma decisão ministerial baseada unicamente no que agrada ao "Auditório de Uma Só Pessoa"?

  3. Você tem medo do julgamento do Senhor, ou a opinião d'Ele sobre você é um lugar de profunda segurança e graça?


Agora, vamos apresentar nosso desejo por liberdade diante do único Juiz justo e amoroso.


Senhor, meu Rei, eu confesso que tenho vivido com os ouvidos atentos à plateia. Busquei o aplauso dos homens e me feri com suas vaias, esquecendo que a única aprovação que importa é a Tua. Perdoa-me por entregar meu valor a um tribunal que não tem jurisdição sobre minha alma. Hoje, eu peço a graça de viver e servir para o Teu olhar. Que a Tua opinião seja a música que guia meus dias e a verdade que acalma meus medos. Que eu possa tocar a melodia da minha vida somente para Ti. Em nome de Jesus, Amém.

Quando vivemos para um Auditório de Uma Só Pessoa, as vaias e os aplausos da multidão se tornam apenas ruído de fundo.

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