Degustação Exclusiva: Leia o primeiro capítulo do livro "O DNA RADICAL"
- Flávio Macieira
- 14 de jan.
- 6 min de leitura

Por que decidi abrir o DNA deste ministério?
"Vivemos tempos líquidos. Tudo o que antes era sólido — nossos princípios, nossa identidade e nossa coragem — parece estar se dissolvendo em um pragmatismo que prioriza o conforto em vez da cruz.
Como pastor, tenho observado a urgência de uma volta às raízes. Não um saudosismo vazio, mas um resgate do 'código genético' que fez do ministério batista uma força relevante e bíblica na história. O livro O DNA RADICAL nasceu dessa inquietação. Ele não é apenas um estudo, é um grito de alerta para líderes que cansaram do superficial.
Decidi liberar o primeiro capítulo aqui no blog porque acredito que esta mensagem não pode esperar. Antes de mergulhar no livro completo, convido você a examinar as primeiras páginas dessa jornada de resgate.
Abaixo, você encontrará o Capítulo 1: [Nome do Capítulo]. Leia com o coração aberto e a Bíblia ao lado.
Capítulo 1
Herdeiros de uma Fé Perigosa
Pastor, permita-me começar com uma pergunta que sonda os porões da nossa alma ministerial: qual é o seu maior medo na manhã de segunda-feira?
É o medo de ser preso por pregar o Evangelho integral? É o medo de ter seus bens confiscados pelo Estado porque você se recusou a comprometer a doutrina da igreja? É o medo de ser levado à praça pública e queimado vivo enquanto sua congregação assiste?
Provavelmente não.
Nossos medos são outros, não são? Temos medo de que o orçamento não feche no final do mês. Temos medo de que aquele líder de louvor talentoso saia para uma igreja mais "moderna" e leve os jovens com ele. Temos medo de que nossa última postagem no Instagram não tenha tido engajamento suficiente. Temos medo de sermos rotulados de "intolerantes" no tribunal da internet ou de "ultrapassados" pela cultura vigente.
Nós trocamos o medo da espada pelo medo do cancelamento. Trocamos o risco de sangue pelo risco de impopularidade.
E, nessa troca sutil, algo vital morreu na estrutura óssea do nosso ministério. Perdemos a densidade. Tornamo-nos leves demais, flutuando ao sabor dos ventos culturais, como folhas secas, porque esquecemos que temos chumbo em nossas botas e ferro em nosso sangue. Esquecemos que somos herdeiros de uma fé perigosa.
O Rio Gelado de Zurique
Para entender quem somos e recuperar nossa espinha dorsal, precisamos sair do conforto do nosso gabinete pastoral climatizado e viajar no tempo. Precisamos ir a Zurique, na Suíça, em uma tarde cinzenta e fria de janeiro de 1527.
Lá, encontramos um homem jovem, culto e apaixonado chamado Felix Manz. Ele não era um terrorista. Ele não era um criminoso político. Ele era um estudioso da Bíblia, filho de um cônego, que cometeu um "crime" imperdoável para a sua época.
Seu crime? Ele ousou ler o Novo Testamento e levar a sério o que estava escrito.
Ao ler as Escrituras, Manz chegou a uma conclusão óbvia e perigosa: a igreja de Jesus Cristo deve ser composta apenas por discípulos que creem, se arrependem e decidem segui-Lo voluntariamente. Portanto, o batismo infantil — que unia a Igreja ao Estado e garantia cidadania automática — era uma ficção antibíblica. Era um "acréscimo humano".
Manz começou a batizar adultos. Ele começou a pregar que a fé deve ser livre.
Por esse ato de fidelidade bíblica, as autoridades da cidade — ironicamente, autoridades protestantes da Reforma — o sentenciaram à morte. A sentença foi proferida com uma zombaria cruel: "Já que ele gosta de água, vamos dar água a ele".
Imagine a cena. Manz foi levado em um pequeno barco para o meio do rio Limmat. Suas mãos foram amarradas aos joelhos, prendendo-o em uma posição fetal forçada. Enquanto o barco se afastava da margem, sua mãe estava na beira do rio. Ela não gritava para que ele renunciasse para salvar a vida. Ela gritava para que ele permanecesse fiel a Cristo até o fim.
E ali, nas águas geladas, Felix Manz foi empurrado para fora do barco. Ele se tornou o primeiro mártir da Reforma Radical.
Ele não morreu por uma opinião política. Ele não morreu por poder. Ele morreu por uma eclesiologia. Ele morreu porque acreditava que a igreja deve ser pura, livre e obediente apenas à Escritura.
A Amnésia do Conforto
Quando colocamos essa cena lado a lado com a nossa realidade pastoral hoje, o contraste é quase obsceno.
Nós construímos igrejas que se parecem com shopping centers, projetadas meticulosamente para oferecer a experiência de consumo mais confortável possível ao "cliente". Removemos qualquer barreira, qualquer custo, qualquer aresta, qualquer "ofensa" do Evangelho.
Pregamos uma graça barata que não exige arrependimento. Oferecemos um discipulado que não exige renúncia. Aceitamos uma membresia que não exige compromisso.
Nós nos chamamos de herdeiros da Reforma, mas agimos como corretores de seguros espirituais, desesperados para vender apólices de salvação com o menor custo possível para o usuário.
Se Felix Manz entrasse em muitas de nossas igrejas batistas hoje, ele provavelmente choraria. Não pela nossa tecnologia, nem pelas nossas roupas modernas — isso é adiafórico. Ele choraria pela nossa irrelevância. Ele veria pastores que, tendo liberdade total para pregar a verdade sem serem mortos, escolhem pregar autoajuda para serem amados. Ele veria uma geração que, não tendo ninguém para matá-la, está morrendo de tédio e superficialidade.
A Coragem de Repudiar
A Introdução da Declaração de Fé Batista, que lemos no início deste projeto, diz algo que deveria nos fazer tremer. Ela afirma que nossos antepassados espirituais caracterizavam-se por "repudiar, mesmo com risco da própria vida, os acréscimos e corrupções de origem humana".
A palavra-chave aqui é repudiar.
O pastor radical, aquele que carrega o DNA bíblico, é, por definição, um homem que sabe dizer "não".
Ele diz "não" quando a cultura pressiona para que a Bíblia seja atualizada para acomodar os novos pecados da moda. Ele diz "não" quando o pragmatismo diz que devemos usar técnicas de manipulação emocional e luzes estroboscópicas para "gerar" conversões artificiais. Ele diz "não" quando o Estado tenta ultrapassar sua esfera e definir o que a igreja pode ou não pode ensinar sobre a vida, a família e a moralidade.
Essa capacidade de repúdio não nasce da arrogância, nem da teimosia, nem do desejo de ser "do contra". Ela nasce da lealdade. Um cão de guarda late não porque odeia quem passa na rua, mas porque ama o dono da casa e o tesouro que está lá dentro.
Nós somos os guardiões do tesouro. Se nós não dissermos "não" às corrupções, quem dirá?
O Chamado para Hoje
Pastor, a sua igreja não precisa que você seja mais "cool". Ela não precisa que você seja um CEO melhor. Ela não precisa que você seja um comediante no púlpito.
Ela precisa que você recupere a sua espinha dorsal.
O mundo está cansado de cristãos que se parecem com o mundo. O que atrai, paradoxalmente, é a diferença. É a radicalidade. É ver um povo que tem uma âncora tão pesada e tão profunda na Escritura que nenhuma tempestade cultural consegue movê-lo.
Você é herdeiro de sangue.
O púlpito onde você pisa no domingo não é um palco de performance; é um legado sagrado. Ele foi comprado com a vida de homens que pregaram através das grades das prisões, de mulheres que foram queimadas na fogueira cantando salmos, de pastores que perderam tudo para que você pudesse ter uma Bíblia na sua língua e a liberdade de pregá-la.
Não barateie esse legado. Não venda essa primogenitura por um prato de lentilhas de aprovação social.
A ação de fé para esta semana é um exercício de memória e coragem. Leia a história de um mártir. E então, olhe para as "concessões" que você tem feito em seu ministério para agradar a cultura ou evitar conflitos. Pergunte a si mesmo: "Isso honra o sangue daqueles que vieram antes de mim? Isso honra o sangue de Cristo?"
Pode ser que você precise pedir perdão a Deus e à igreja por sua covardia. Pode ser que você precise mudar o tom da sua pregação no próximo domingo. Pode ser que você precise dizer um "não" difícil a uma liderança influente.
Faça isso. O rio Limmat ainda corre em nossa história, lembrando-nos de que a verdadeira fé sempre custa tudo. E vale a pena.
Gostou desta primeira etapa da jornada?
O que você acaba de ler é apenas o início do resgate. O mapa completo para navegar nesses tempos líquidos e reencontrar a solidez do ministério bíblico está nas páginas de O DNA RADICAL.
Um presente que edifica o Reino: Além da sua leitura pessoal, este livro é uma ferramenta poderosa para abençoar quem dedica a vida ao serviço de Deus. Que tal honrar seu pastor, líder, missionário ou aquele seminarista que está se preparando para a trincheira?
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