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Somos um para servir

8 de set.
3 min de leitura

Autor: Pr. Flávio Macieira

Texto orientador: João 17:11,17–18,20–23

Voluntários cristãos servindo a comunidade com cestas de alimentos diante de uma igreja, ao pôr do sol.

A unidade cristã costuma ser celebrada nos grandes encontros. Ela aparece nos temas, nos hinos, nas fotografias e nas declarações públicas. Mas sua verdade é provada depois, quando voltamos para nossas igrejas, encontramos diferenças reais e precisamos decidir se caminharemos apenas ao lado uns dos outros ou verdadeiramente uns com os outros.

Na oração de João 17, Jesus não pede ao Pai uma união construída pela conveniência. Ele fala de discípulos que receberam a Palavra, foram santificados na verdade e enviados ao mundo (Jo 17:17–18). A ordem é importante. A unidade cristã nasce em Deus, é governada pela verdade e se torna visível na missão. Não somos um porque pensamos da mesma maneira sobre tudo, mas porque pertencemos ao mesmo Senhor e fomos alcançados pela mesma graça.

Por isso, unidade não é uniformidade. O corpo de Cristo não cresce pela repetição dos mesmos dons, estilos e responsabilidades. Deus distribui capacidades diferentes e coloca suas igrejas em contextos diferentes. Essa diversidade não precisa produzir competição. Quando está submetida a Cristo, ela se transforma em serviço compartilhado.

Aqui, nossa identidade batista exige maturidade. A autonomia da igreja local é uma responsabilidade exercida sob o senhorio de Cristo e a autoridade das Escrituras. Não é soberania, autossuficiência ou licença para o isolamento. Uma igreja pode decidir sobre sua vida e missão sem desprezar aquilo que Deus realiza por meio de outras igrejas. Pode preservar suas convicções e, ao mesmo tempo, oferecer seus dons, receber ajuda e participar de uma obra maior do que seus próprios limites.

Esse é um teste concreto da nossa unidade: conseguimos reconhecer que também precisamos dos outros? É relativamente fácil contribuir quando controlamos o projeto, ocupamos o centro e recebemos o reconhecimento. Mais difícil é sustentar uma obra que não levará o nosso nome, aprender com uma comunidade menor, acolher uma correção fraterna ou celebrar com sinceridade o fruto que Deus concedeu a outra igreja.

Servir juntos também exige verdade. A oração de Jesus não separa unidade e santificação (Jo 17:17,21). A comunhão cristã não pode ser preservada por silêncio diante do pecado, manipulação ou injustiça. Mas a defesa da verdade também não autoriza aspereza, caricatura ou humilhação. Quando Cristo governa nossas relações, a correção busca restauração; a convicção permanece acompanhada de humildade; e a divergência não transforma irmãos em inimigos.

Jesus relacionou a unidade dos discípulos ao testemunho diante do mundo (Jo 17:20–23). Isso não significa que a comunhão substitua a proclamação do Evangelho. Significa que nossas relações podem confirmar ou contradizer aquilo que anunciamos. Se pregamos reconciliação, mas cultivamos rivalidades; se proclamamos graça, mas disputamos prestígio; se defendemos a cooperação, mas só participamos quando temos controle, nossa mensagem perde coerência.

Somos um para servir. Servimos quando uma igreja envia e outra sustenta; quando uma ensina e outra abre caminhos; quando uma oferece recursos e outra oferece presença; quando todas reconhecem que o verdadeiro centro da missão não é uma instituição, uma liderança ou um projeto, mas Cristo.

Tal unidade não será perfeita antes da volta do Senhor. Ainda precisaremos de arrependimento, perdão, paciência e correção. Contudo, podemos recusar a vaidade que nos isola. Podemos ouvir antes de responder, repartir sem dominar, cooperar sem apagar diferenças e celebrar o que Deus faz além de nossos limites.

A oração de Jesus permanece diante de nós. Que sejamos um na verdade, um na missão e um no serviço. Não para fortalecer nossa própria imagem, mas para que Cristo seja conhecido, sua Igreja seja edificada e o mundo veja que pertencemos a Ele.

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