Alerta Vermelho: O Perigo de Abandonar a Graça
- Flávio Macieira
- 5 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Por: Pastor José Flávio Macieira — 2025

A maior tragédia espiritual não é cair em pecado, mas desertar da graça que nos perdoa.
“Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho.” (Gálatas 1:6 NVI)
Imagine um soldado que, no meio de uma campanha vital, abandona seu posto, seus companheiros e a bandeira pela qual jurou lutar. A palavra para isso é "deserção", um ato de traição e quebra de lealdade. É com este termo, carregado de peso e gravidade, que o apóstolo Paulo inicia sua repreensão aos crentes da Galácia. Seu tom não é de decepção, mas de espanto e alarme: "Estou admirado!". O que poderia chocar tanto o apóstolo? A rapidez e a facilidade com que eles estavam virando as costas para o coração do evangelho.
Paulo identifica a anatomia dessa deserção. Primeiro, ele ressalta que eles não estavam abandonando um conjunto de regras ou uma filosofia, mas uma Pessoa: "daquele que vos chamou". A vida cristã não é a adesão a um sistema, mas um relacionamento com o Deus que, em Sua soberania, nos chamou para Si. Abandonar o evangelho da graça é, portanto, um ato profundamente relacional; é virar as costas para o próprio Pai. Segundo, eles estavam desertando do próprio "ambiente" em que foram chamados: "a graça de Cristo". A graça não é apenas o portão de entrada da fé; é a atmosfera que respiramos, o solo que nos nutre, o sistema operacional de toda a nossa vida com Deus. Tentar viver o cristianismo fora da graça é como um peixe tentar viver fora da água. É uma sentença de morte espiritual.
A pergunta que ecoa é: por que eles desertaram "tão depressa"? O que torna um "outro evangelho" tão sedutor? A resposta está em nossa natureza humana. O evangelho da graça é profundamente humilhante. Ele declara que não há absolutamente nada que possamos fazer para contribuir para nossa salvação. Somos totalmente dependentes da obra de Cristo. Um "outro evangelho", quase sempre, reintroduz o elemento do esforço humano. Ele diz: "Graça é bom, mas você também precisa guardar esta lei, praticar este ritual, atingir este padrão...". Essa mensagem é sedutora porque apela ao nosso orgulho. Ela nos dá uma sensação de controle, a ilusão de que podemos, de alguma forma, merecer ou garantir o favor de Deus. É mais fácil para nossa mente caída confiar em uma lista de tarefas do que descansar em uma promessa de graça. É por isso que a advertência de Paulo é um alerta vermelho para a igreja em todas as gerações. A tentação de adicionar algo à obra perfeita de Cristo é sutil, constante e mortal. Como diz o autor de Hebreus: "Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus" (Hebreus 12:15a). Permanecer na graça exige vigilância e uma fé deliberada.
Desafio Examine seu coração hoje com honestidade. Existe alguma área onde você está sutilmente confiando em seu próprio desempenho, em seus rituais ou em sua moralidade para se sentir aceito por Deus? Identifique essa tendência e confesse-a, pedindo a Deus que o ajude a descansar unicamente na graça de Cristo.
Hora de Refletir
Qual é a diferença entre "mudar de opinião" sobre um assunto e "desertar" de Deus?
Por que você acha que o evangelho do "esforço próprio" é tão atraente para a natureza humana?
Pense em sua caminhada cristã. Você se vê vivendo na "atmosfera da graça" ou ainda tentando respirar o "ar do merecimento"?
O que significa, na prática, vigiar para não se "excluir da graça de Deus"?
Oração Pai, obrigado por me chamar para viver na graça de Jesus Cristo. Perdoa-me pelas vezes que desertei dessa verdade, tentando encontrar segurança em minhas próprias obras. Guarda meu coração da sedução de qualquer outro evangelho. Ajuda-me a descansar na obra consumada de Jesus e a viver cada dia na liberdade e na segurança do Teu amor imerecido. Em nome de Jesus, amém.
Legalismo é tentar pagar uma dívida que já foi quitada pela graça.










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