A Paz que a Tempestade Não Pode Roubar
- Flávio Macieira
- 26 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Por: Pastor José Flávio Macieira — 2025

A paz de Deus não é a ausência de problemas, mas a certeza da Sua presença em todos eles.
“Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.” (João 14:27 NVI)
A busca pela paz é uma das mais profundas e universais jornadas humanas. Nós a procuramos em contas bancárias estáveis, em relacionamentos harmoniosos, em retiros silenciosos, em aplicativos de meditação e no sucesso profissional. A definição de paz do mundo é, essencialmente, a ausência de conflito. É um estado de tranquilidade que depende inteiramente de circunstâncias externas favoráveis. O problema é que as circunstâncias são, por natureza, instáveis. Uma crise de saúde, um problema financeiro ou uma traição inesperada são suficientes para despedaçar essa paz frágil, deixando-nos novamente à deriva na ansiedade e no medo.
É neste contexto que as palavras de Jesus, ditas aos seus discípulos na iminência da Sua crucificação — o momento de maior caos e pavor —, se tornam tão revolucionárias. Ele começa dizendo: "Deixo-lhes a paz... a minha paz lhes dou". Ele a apresenta como um presente, uma herança, um legado. A paz de Cristo não é algo que conquistamos com nosso esforço ou que alcançamos ao organizar perfeitamente nossa vida. É um dom sobrenatural que recebemos pela fé. Esta é a primeira grande mudança de mentalidade: paramos de buscar a paz e começamos a receber a paz.
Em seguida, Jesus faz a distinção crucial: "Não a dou como o mundo a dá". A paz do mundo é externa e condicional. A paz de Cristo é interna e incondicional. Ela não nega a existência da tempestade ao nosso redor, mas nos ancora firmemente durante ela. Sua fonte não é a ausência de problemas, mas a presença constante de Cristo em nós através do Espírito Santo e a certeza da Sua soberania sobre todas as coisas. É uma paz que diz: "Mesmo que o barco balance, meu coração está firme, pois o Mestre dos mares está comigo". É a tranquilidade de saber que, por mais caótica que a situação pareça, nossa alma está segura n'Ele.
Baseado nesse dom e nessa distinção, Jesus nos dá um mandamento amoroso: "Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo". Isso não é uma negação de nossos sentimentos, mas um convite para exercermos nossa fé. Porque recebemos Sua paz, agora temos o poder de escolher não nos entregar à perturbação. Podemos ativamente recusar o medo e a ansiedade, não com nossa própria força, mas nos apoiando na paz que já nos foi dada. Como o profeta Isaías escreveu: “Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia” (Isaías 26:3 NVI). Quando nosso coração está firmado em Cristo, confiando n’Ele, a consequência natural é uma paz perfeita e sobrenatural, uma paz que a tempestade não pode roubar.
Desafio Na próxima vez que você sentir seu coração se perturbar com uma notícia, uma preocupação ou um medo, pare por um instante. Feche os olhos, respire fundo e declare em voz alta ou em seu coração: "Eu recebo a paz de Cristo, que não é como a paz do mundo." Use essa declaração como uma âncora para sua alma.
Hora de Refletir
Em quais circunstâncias ou áreas da sua vida você tem buscado a "paz do mundo"?
Descreva um momento em que você sentiu a "paz de Deus", mesmo em meio a uma situação difícil. O que havia de diferente?
O que significa, na prática, escolher ativamente "não perturbar o coração"? Quais pensamentos ou atitudes isso envolve?
Como a certeza da soberania de Deus sobre todas as coisas pode fortalecer sua capacidade de viver em paz?
Oração Senhor Jesus, obrigado pelo presente incomparável da Tua paz. Perdoa-me pelas vezes em que busco segurança e tranquilidade nas coisas frágeis deste mundo. Eu recebo hoje a Tua paz, que minha mente não consegue entender, mas que meu coração precisa desesperadamente. Ajuda-me a firmar meu coração em Ti e a não me entregar ao medo. Que a Tua paz guarde meus pensamentos e minhas emoções hoje e sempre. Amém.
A paz do mundo depende de circunstâncias que mudam; a paz de Cristo depende de um Deus que não muda.










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